Cineclube é o grande destaque de abril/maio, antecedendo o Dia do Trabalho
Por Alexandre César | Redação CCSP | Fotos: Arquivo pessoal
15/4/2026
Às vésperas do 1o de maio, Dia Internacional do Trabalhador, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) e a Empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo (Spcine) promovem o projeto Cineclube: A Classe Trabalhadora Vai ao Cinema, que terá seis sessões no dia 26 de abril, na Sala Paulo Emílio às 16 e 20 horas. O projeto será realizado todos os meses, sempre com a temática do trabalho, sejam antigas questões como o cotidiano, relações interpessoais, desafios e conflitos, assim como novos dilemas, como o mundo digital tomando o lugar de algumas funções humanas, o trabalho home-office e etc. Por outro lado, velhos problemas que sempre são contemporâneos também aparecem, como a luta por melhores condições de trabalho, remuneração, valorização profissional e vários outros. Confira a programação no site do CCSP.

Claquete: Mostra: Deixe os Mortos Dormirem
Como diz um dos lemas da Casa Greyjoy em Game of Thrones: O que está morto não pode morrer. Na premiada série da HBO, o que está morto e não poderia morrer é um monstro marinho, mas aqui, estamos falando dos bons e velhos Mortos-Vivos, os Zumbis. O CCSP lançará a Mostra: Deixe os Mortos Dormirem, entre 21 de abril e 1º de maio. As exibições ocorrerão em vários locais da casa, sendo na Gibiteca Henfil, nas Salas Lima Barreto e Paulo Emílio, assim como no Jardim Suspenso, e contará com 17 filmes, entre clássicos do gênero e novas obras. Confira a programação no site do CCSP.
Em Cartaz: no Espaço Ademar Guerra está em exibição a peça Agora, que conta a estória de uma antiga loja de relógios que persiste existir num mundo que não sabe mais fazer as marcações do tempo. Nesse ambiente, os funcionários do estabelecimento convivem sem muita esperança num sociedade cada vez mais angustiante e frenética, assemelhando-se como nos dias atuais. Veja a programação com os dias e horários no site do CCSP.
Papiro: Sociedade do Cansaço – Byung-Chul Han (Coreia do Sul, Editora Vozes, 2015)
A dica desta semana é o livro Sociedade do Cansaço, nele, o escritor Byung-Chul Han argumenta que vivemos numa época em que deveríamos ter mais qualidade de vida, trabalhar menos e ganhar mais. No entanto, entramos numa situação em que as pessoas se cobram por um autodesempenho maior e por mais e melhores resultados. Com isso, acabamos nos conformando em trabalhar mais e sermos mal remunerados. A consequência é a geração de doenças, como depressão, síndromes de hiperatividade e alto grau de estresse. Para saber mais do livro, consulte a Biblioteca do CCSP.

Revistinhas: Tio Patinhas
Antítese da realidade para a maioria das pessoas no Mundo, o personagem mais que emblemático das HQs da Disney é sem dúvidas o Tio Patinhas. Síntese do Capitalismo Norte-Americano, da riqueza e do lema que a fortuna vem a quem trabalha, Patinhas MacPato representa a ideia de poder e prestígio através da angariação de dinheiro, mas que gasta o mínimo possível, não importando se for necessário explorar seus empregados para manter-se no posto de pato mais rico do mundo. Mesmo sendo avarento, o Tio Patinhas é um dos personagens mais queridos do universo Disney, até por ser muto afetuoso, não só à sua Moedinha Número Um, mas aos seus sobrinhos Donald, Peninha, e os trigêmeos Huguinho, Zezinho e Luizinho, e com eles, vivem altas aventuras que fazem que, geralmente, o Patinhas fique cada vez mais rico. Suas estórias em que contam como conseguiu ser tão bem sucedido fazem com que o personagem seja mais interessante, sem mostrar sua avareza, comumente mostrada na sua versão contemporânea.
Um Momento de Cultura: Sou Boy (Magazine)
Acordo sete horas
Tomo ônibus lotado
Entro oito e meia
Eu chego sempre atrasado
Sou boy, eu sou boy
Sou boy, boy, sou boy
Atento oito e meia
Eu tenho que bater cartão
Mal piso na firma
Tem serviço de montão
Eu sou boy, eu sou boy
Eu sou boy, boy
Eu sou boy
Ando pela rua
Pago conta, pego fila
Vou tirar xerox
E batalho alguma fila
Sou boy, eu sou boy
Eu sou boy, boy
Eu sou boy
Na hora do almoço
A minha fome é de leão
Abro a marmita
E o que vem, feijão!
Chega o fim do mês
Com toda aquela euforia
Todos ganham bem
Eu aquela mixaria
Sou boy, eu sou boy
Eu sou boy, eu sou boy
E logo chega a tarde
Estou com pressa
De ir embora
Meus pés estão doendo
E meus calos tão prá fora
Eu sou boy, eu sou boy
Eu sou boy, boy
Eu sou boy
Bate cinco e meia
Acerto em filas infinitas
Ônibus lotado
E cai da mala
A minha marmita
Eu sou boy, eu sou boy
Eu sou boy, boy
Eu sou boy…
Canção satírica da Banda Magazine, que conta a estória do dia a dia de um office-boy em sua empresa, e como sua angústia parece sem fim. Sou Boy estourou em 1983, sendo um grande sucesso, pois retratou a vida de muitos jovens brasileiros que tiveram essa função como sua primeira experiência profissional.
Para quem era mais velho na época, falava-se que o serviço de Boy valia para ver como era dura a vida no trabalho, mas que os jovens deveriam ter ambição de subir na vida, ou seja, não esquecendo o passado, mas não perdurando por muito tempo e almejar cargos superiores com dedicação, estudo e empenho.

