Homenagem ao primeiro palhaço negro e outros artistas faz o público rir e chorar

Por Alexandre César | Redação CCSP | Fotos: Arquivo pessoal

10/4/2026

Quem compareceu ao espetáculo Na Lona de Benjamim, na Sala Jardel Filho, no Centro Cultural (CCSP) na última quinta-feira (09), levou para casa uma gama de emoções múltiplas, de alegria, nostalgia, curiosidade, tristeza e orgulho. A estória baseia-se num grupo de palhaços que viaja ao passado na busca do legado do primeiro palhaço negro que há registro no Brasil, e encontram uma lona de circo onde um morador desmemoriado não sabe quem é ele próprio e quem fora Benjamim.
No palco, a Trupe de Palhaçaria apresentou uma estória com homenagens a vários outros artistas que conviveram e que não tiveram contato com Benjamim de Oliveira, como o ator Grande Otelo e a dançarina, cantora e atriz norte-americana Josephine Baker. A peça cita ainda Charles Chaplin, Tia Ciata e o 9o presidente da República, Venceslau Brás (1914-1918) e outros.
E falando no presidente, a trupe refez o caso da cura da ferida na perna de Venceslau Brás, pela Tia Ciata (Hilária Batista de Almeida), mãe de santo no Rio de Janeiro, que era figura prominente do Samba, e na época, o ritmo era criminalizado pelas autoridades, principalmente pela Polícia.


Como Tia Ciata era muito procurada por autoridades pelo seu dom de cura, e um deles sendo justamente do presidente em exercício, os policiais faziam vista grossa. Sua casa era ponto de encontro de grandes sambistas, e é sabido que foi lá a primeira gravação de um Samba, a canção Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida.
Para refazer a cena, a trupe recorreu a um personagem da plateia, o arquiteto Álvaro Luís Cruz, que teve uma desenvoltura quase que profissional, mas que segundo ele, nunca havia pisado num palco.

Pude ser um pouquinho palhaço junto com eles, foi uma honra, foi muito inspirador. Fiz um pouquinho de improviso, mas eu nunca pisei em um palco na vida. O público gostou bastante e eu gostei também, porque o pessoal se envolveu não é? Foi muito bom. Eu queria só agradecer a gentileza, a generosidade dos atores, eu nunca me senti tão à vontade, e a condução deles é muito natural, então a gente se sente muito bem aqui. Que bom que o CCSP deu essa oportunidade para a plateia participar – disse Álvaro Luís.

Segundo o ator Chico Vinícius, toda a trama é resultado de muita pesquisa, que envolve tanto o trabalho de Benjamim de Oliveira desenvolvido pelo próprio palhaço, mas que não impede de quadros clássicos da palhaçaria e de autoria da própria trupe.

Nós trouxemos números clássicos de Circo, de pegar uma cena e repeti-la com os vários gêneros teatrais: Comédia, Terror, Drama… e pegamos esse formato para fazer uma brincadeira em que o Benjamim dirija uma cena com personagens que são seus contemporâneos, mas que nunca se cruzaram, como foi o caso de Otelo e Josephine Baker, issop numa forma de homenageá-los ao mesmo tempo. Nós temos a intenção de continuar com a pesquisa e desenvolver outras peças-homenagem a artistas da comédia e palhaços negros, pois é importante conhecer e saber da nossa ancestralidade no meio cultural. Quem são os nossos ancestrais do circo e teatro negro? A próxima pesquisa que a gente está tentando desenvolver é a do Eduardo das Neves, que teve Circo, também. Ele viveu na época do Benjamim de Oliveira, o seu circo chamava-se Brasil, e ele era conhecido como O Palhaço Negro. Eduardo das Neves viveu ali na virada do século XX, e foi um dos primeiros dessa arte a gravar um disco no Brasil – informou o ator.

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