A(U)TOS: A(U)TO1 – CONTRA COGENTE

08/07 a 20/08

  • Abertura em 08/07, às 10h
  • Piso Flávio de Carvalho, Jardim Suspenso, Praça das Bibliotecas e Sala Jardel Filho
  • Classificação indicativa: livre
  • Grátis
  • Não é necessária a retirada de ingressos 
  • É recomendado o uso de máscara

A curadoria de Artes Visuais do CCSP inaugura, dia 8 de julho, a exposição “A(u)tos: A(u)to1 – Contra Cogente”, que permanece na instituição até 20 de agosto. Victor Hugo Souza, curador da mostra, define a programação enquanto uma exposição-aparição, “um primeiro impulso do projeto curatorial A(U)TOS”.

A exposição extrapola os pisos expositivos para levar obras e performances para espaços pouco usuais do Centro Cultural São Paulo, propondo a surpresa do público e sua interação direta com as narrativas e obras dissidentes das obras curadas. Numa ocupação coletiva, quatro artistas participam da programação: abigail Campos Leal, com a performance “nosso apetite se trama num outro tom”; Yhuri Cruz, com “Negrociação #2”; Diego Crux apresenta as produções “Because i’m a black man”, “Desde quando você sou negrx” e “Tudo fica blue”; e Flávio Cerqueira expõe a escultura “Onde tudo acaba em mim”.

O nome da exposição aproxima o universo cotidiano de jargões jurídicos. A primeira palavra, autos, define um documento, uma reunião formalizada de materiais, tornados legais, do que virá a ser evidências colhidas como ferramenta para a criação de contextos de encaminhamento investigativo – prerrogativa incontornável do estado de visibilidade.

A segunda palavra, atos, pode deter atenção por significações distintas. Neste projeto, em especial, considerada como movimento sem necessariamente fim ordenado ou planejado, ato como prática, gesto, manifestação de qualquer natureza, ímpeto ou ação direta.

A articulação destas duas palavras, de sonoridade parecida e significado completamente distinto, determina o escopo conceitual do projeto. A curadoria atenta-se, em contraste, com as operações mais radicais e profundas das implicações dos termos.

“Com apenas um ato é possível criar ativações e interrupções que interferem em toda uma cadeia produtiva. Um auto, por sua vez, é parte fundamental da produção de narrativas dentro dos processos de fabricação da justiça; os autos sinonimamente são aparelhos operacionais e produtivos do fazer justiça”, explica Victor Hugo.

A palavra cogente, também do universo jurídico, se refere a ordens que não podem ser alteradas, sendo obrigatória a sua realização. Desta forma, a exposição A(U)TOS surge como uma resposta ambígua e contrária às normas cogentes, com a apresentação de imaginários divergentes.

Entre performances e obras materiais, A(U)TOS se inicia neste sábado com ativações em diversos lugares do CCSP. Confira a localização das obras, bem como data das performances e horários de visitação a seguir:

abigail Campos Leal apresenta a performance nosso apetite se trama num outro tom

  • Data: 15/07, sábado, às 16h
  • Local: Jardim Suspenso – Lado 23 de Maio.
  • Após a performance, o áudio da performance ficará exposto no Piso Flávio de Carvalho até o final da exposição.

Sinopse: A performance realizada por abigail implica no estabelecimento de trocas compartilhadas e comprometidas entre artista e público. A performance disponibiliza um alimento ancestral da performer – o acará – em troca de uma proposição sonora do público. Cultura alimentar, trocas coletivas, cacofonia, experimentações sonoras e radicais são temas mobilizados pelo trabalho. O resquício da performance é a própria sonoridade formulada no processo.

Flávio Cerqueira expõe a escultura Onde Tudo Acaba Em Mim

  • Período de visitação: 08/07 a 20/08. Terça a domingo, das 11h às 18h.
  • Local: Jardim Suspenso – Lado 23 de Maio

Sinopse: Onde tudo acaba em mim é uma escultura que apresenta um pequeno garoto negro, apenas de bermuda e chinelo de tipo slide, acompanhado de dois objetos em punho: uma lanterna e uma bússola, equipamentos de auxílio para reconhecimento e busca. Um X em tinta branca contrasta com o bronze nas costas do personagem, sendo essa área do corpo impossível de ser alcançada a partir da visão. Entre localização, mistério e uma procura que está anunciada em seu próprio corpo, o trabalho visibiliza um movimento infinito concentrado no personagem esculpido.

Yhuri Cruz apresenta a performance Negrociação #2

  • Data: 29 e 30/07. Sábado, às 14h e às 18h; domingo, às 14h e às 18h.
  • Local: Sala Jardel Filho

Sinopse: Negrociação #2 é uma performance oriunda de uma grande pesquisa do artista em continuidade e intitulada “Pretofagia”, sendo a performance apresentada uma ação direta de troca, na qual o público terá a oportunidade de ceder espontaneamente registros seus em vídeo e áudio, a partir de suas línguas e vozes, em troca da camiseta “Anastácia Livre”, oferecida pelo artista aos participantes do ato.

Diego Crux apresenta a obra Desde quando você sou negrx

  • Período de visitação: 08/07 a 20/08. Terça a sexta, das 10h às 20h. Sábado e domingo, das 10h às 18h. A entrada nas Bibliotecas é permitida até 30 minutos antes do fechamento do setor.
  • Local: Biblioteca Sérgio Milliet
  • Aos feriados em finais de semana, a Biblioteca funciona das 10h às 18h. Aos feriados em dias de semana a Biblioteca permanece fechada.

Sinopse: A obra consiste numa faixa que apresenta elementos centrais de sua pesquisa: a questão de cor, a palavra escrita e a ráfia – material apropriado na construção da faixa e de uso comum para transporte de grãos e comunicação visual de propagandas de rua não-formais. A frase “Desde que sou negrx” introduz ao público a disputa pelo reconhecimento de uma multiplicidade de existências e experiências, revisitando e incidindo sobre o que são as diferenças e seus propósitos.

Diego Crux expõe a obra Because I’m a black man

  • Período de visitação: 08/07 a 20/08. Terça a domingo, das 11h às 18h.
  • Local: Jardim Suspenso

Sinopse: A obra é uma placa giratória que disputa em caráter direto e simbólico a noção de vitória e derrota em movimento contínuo no espaço. Esse trabalho é um desdobramento de outra formulação artística “Tudo fica blue” que também tem como elemento disparador as duas músicas do músico jamaicano Alton Ellis, Black Man’s World e Black Man’s Pride.

Diego Crux expõe a obra Tudo fica blue

  • Período de visitação: 08/07 a 20/08. Terça a sexta, das 10h às 20h. Sábado, domingo e feriados, das 10h às 18h.
  • Local: Piso Flávio de Carvalho

Sinopse: A obra é um site que pode ser acessado dentro e fora do espaço expositivo. Diante do volume de imagens e sonoridades, o público participa deslocando esses itens no portal. A obra possui noções de vitória e derrota implicadas em sua produção, visto que a narrativa e disposição no site é compartilhada com o público. O conflito e corresponsabilidade pelo rearranjo está dada no ato de fruição da obra, em diálogo com o que é público, relacional, político e cultural em trabalhos de arte e pré-selecionado pelo artista.

Sobre os artistas:

abigail Campos Leal é artista visual, ativista da palavra e articula diversas linguagens, vive e trabalha em São Paulo.

É mestra em Ética Aplicada pela UFF-RJ. Em seus processos e formulações artísticas, interpela arte e outros fazeres que se correlacionam como cura, alimentação, ações coletivas e processos colaborativos. É organizadora do Slam Marginália, batalha de rimas pensada e realizada por pessoas trans, não-binárias e gênero-dissidentes.

Diego Crux é artista visual, vive e trabalha em São Paulo.

O artista se nomeia como: “quase-artista nascido e criado na borda, em Parada de Taipas, hoje vive no centro. Trampa com artes entre outros por diversos lugares. Neto de Rosa e Esmeraldo, é da cor que lembra a memória”. A partir da imagem, cor, palavra e reapropriações dentro de experiências coletivas e pessoais, define sua produção também como samples visuais.

Flávio Cerqueira é artista visual, vive e trabalha em São Paulo.

Os trabalhos do artista se concentram na técnica da escultura enquanto recurso de apresentação da sua produção de pensamento, centralizando a construção de figuras humanas em bronze. Suas proposições em situações-flagrantes atenuam leituras de circunstâncias elementares, complexas e múltiplas diante das figuras representadas.

Yhuri Cruz é artista visual, performer e dramaturgo, vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Desenvolve sua prática artística e literária a partir de criações textuais que envolvem ficções, proposições performativas e instalativas – que o artista chama de cenas – em diálogo com sistemas de poder, crítica institucional, encenações de cura, resgates ficcionais contra violências sociais reprimidas.

 

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.

De volta ao topo
plugins premium WordPress