17/03

A dinâmica do show desenvolvida em duas partes conforme o título do álbum inédito Entre a Penitência e a Ruptura consolida a apresentação e o conceito do álbum na íntegra ao vivo.

A primeira parte expõe o projeto estrutural de opressão — desde o encarceramento desproporcional e as condições de mulheres encarceradas até o genocídio implementado pelo Estado e pelas elites, explicitando o racismo. Além de questionar o mito da meritocracia, o disco perpassa o processo de exclusão social somado à precária estrutura urbana; entre concessões e descaso, propõe uma reflexão entre o passado e o presente, conectando o modelo de opressão da ditadura militar à atual ação estatal. Nessa primeira parte do álbum, o contexto da “penitência” é abordado sob as perspectivas histórica e atual, refletindo o mórbido legado da colonização e da espoliação, despertando o ouvinte para a realidade.

A segunda parte do álbum ressalta a essência e o potencial gerado pela resistência diante do impasse projetado. Demonstra que a articulação e a ancestralidade conduzem à insurreição, resgatando a força de mulheres outrora soterrada pela manipulação da história e exaltando o embate atual feminino pela permanência plena, principalmente em espaços considerados libertários. No encerramento desse segundo momento — que retrata a ruptura de processos que reprimem e degradam setores sociais —, a luta por direitos de minorias marginalizadas é exposta como algo essencial para exaltar consistência e conquistas. O álbum conclui propondo uma reflexão sobre ações e organizações que existem e resistem desde o período colonial, avançando pela confluência de romper e sair das estruturas que segregam.

A apresentação conta com participações que fizeram parte da gravação do álbum como: Rômulo Alexis, trompetista do Duo Rádio Diáspora, o Contramestre de Capoeira Manuel Messias e a musicista e compositora Amanda Trindade.