04/04 a 24/05/2026

  • Terça a Domingo, das 10h às 20h
  • Piso Flávio de Carvalho
  • Classificação indicativa: livre
  • Grátis, sem necessidade de retirada de ingressos

Narrar a história do Brasil significa lidar com uma memória repleta de lacunas. Muito do que moldou o país permanece fora dos livros, distante de imagens ou registros, como se estivesse guardado em uma prateleira de ausências. Mesmo que os fatos e pessoas que impulsionaram mudanças históricas tenham resistido ao tempo, o colonialismo deixou marcas profundas, fragmentando e silenciando as protagonistas de momentos decisivos.
A exposição Abolicionistas Brasileiras nasce como um esforço de resgatar essas vozes esquecidas, reunindo lembranças e devolvendo visibilidade a mulheres que atuaram de forma fundamental para o fim da escravidão. Oito artistas contemporâneas foram convidadas a criar obras inéditas inspiradas na força política e social dessas personagens, reinterpretando seu legado por meio da linguagem da arte.
As trajetórias de Adelina, Anastácia, Aqualtune, Esperança Garcia, Luiza Mahin, Maria Felipa, Maria Firmina dos Reis e Maria Tomásia Figueira Lima revelam a grandeza de mulheres que enfrentaram violências materiais e simbólicas de um Brasil escravocrata. A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, não apaga séculos de opressão — ela simboliza a consolidação de uma nação construída sobre a exploração do maior contingente de pessoas negras e indígenas escravizadas do planeta. Essas mulheres, além de conquistarem a própria liberdade, tornaram-se líderes, estrategistas e pensadoras, impulsionando a emancipação de milhões.
A arte contemporânea abre caminhos para a reescrita de narrativas, permitindo que novas páginas sejam inseridas na história. Na mostra, obras visuais abordam o legado colonial e escravocrata, enquanto projetam horizontes de mudança para um futuro mais equitativo. As criações apresentam materialidades diversas e expressıes intensas, trazendo à tona relatos antirracistas e múltiplas formas de resistência — física, intelectual, ancestral e espiritual. Ao convidar o público a refletir sobre as histórias omitidas, as artistas instigam a imaginar um mundo negro pleno de potência, memória e possibilidades.
O projeto tem curadoria de Ana Carla Soler e co-curadoria de Francela Carrera e Carolina Rodrigues, com participação das artistas Aline Motta, Ana Lira, AndrÈa Hygino, Brenda Bazante, Claudia Lara, Guilhermina Augusti, Julia Vicente, Larissa de Souza, Lidia LisbÙa, Luna Bastos, Manuela Navas, Mariana Maia, May AgontinmÈ, MÙnica Ventura, NazarÈ Soares, Renata Felinto, Renata Leoa, Roberta Holiday, Sheyla Ayo, Stefany Lima, Thais Basilio e Thais Iroko.