Apresentação faz parte da II Edição da Mostra Estados da Palhaçaria

Por Alexandre César | Redação CCSP | Fotos: Danilo Amaral

27/3/2026

Nos dias 26 e 27 de março, o Palhaço Suspiro apresentou a peça Eu, Migo e Meu Umbigo, na Sala Ademar Guerra, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), que faz parte da II Edição da Mostra Estados da Palhaçaria. Com 13 anos de existência, o espetáculo confirmou o sucesso entre crianças e adultos, visto a arquibancada praticamente lotada.
Ao melhor estilo Buster Keaton, O Comediante que Não Ria, e o grande mestre Charles Chaplin, O Vagabundo, Suspiro utilizou o picadeiro num monólogo curioso com sua mala cheia de objetos que fazem da milenar arte da pantomina uma comédia para lá de moderna. Praticamente sem palavras, o artista faz-se entender com várias expressões faciais, fazendo o público rir e interagir com ele.
Segundo Suspiro, alter ego de Daniel Meirelles, a ideia do espetáculo partiu do bullying que sofreu durante a infância e que esse problema não é de hoje, mas desde sempre.
O bullying é uma coisa que eu percebo desde que eu sou muito menino. Eu sempre sofri muito com bullying. Então, o bullying ele é completamente egoísta. Você tira sarro de uma pessoa para todas as outras rirem. Eu era muito gordo, e até hoje eu sou um pouco, não é? Hoje eu não ligo mais, mas na época eu comecei a usar a gordura ao meu favor, em vez das pessoas rirem de mim, fiz rirem para mim.
Eu comecei a usar isso, e aí, sem perceber, já estava começando a entrar no mundo do palhaço. Cheguei a fazer um trabalho de porta de loja, vestido de palhaço, eu me reconheci, falei: “É isso que eu quero fazer da vida”. E aí, e eu e eu entendi que o riso, ele é um remédio, ele é uma coisa que une as pessoas.
Teve uma situação evento em Santos que um cara chegou em mim aos prantos, falou: “Daniel, queria te agradecer por esse espetáculo, porque você passa o mesmo o que eu passei na infância. Eu ia sair daqui para poder fazer uma besteira com a minha vida e graças a esse espetáculo eu não vou fazer…” – relatou Meirelles.


A peça fala, também, da relação familiar, do papel dos pais e, principalmente da figura paterna na vida de seus filhos. Suspiro critica a ausência dos pais na vida de seus filhos, sejam aqueles que convivem ou não convivem com seus filhos, pois segundo ele, a presença pode ser preenchida em várias ocasiões e situações.
Quando a minha filha nasceu, eu queria ter estado mais presente, e eu não podia, mas depois, fiz tudo para compensar esse tempo perdido. O nome do espetáculo já é de propósito para que os pais, principalmente os homens tenham mais atenção aos seus filhos, pois as crianças precisam da sua presença, da sua proteção e carinho. Sabemos que muitos homens delegam essas tarefas às mães, e tem muitos que simplesmente não estão nem aí e abandonam a criação de seus filhos. O roteiro não deixa de ser uma crítica – encerrou o comediante.


Na plateia, a mãe e dona de casa Tatiane Tosti aproveitou para levar o seu pequeno Martim Tosti para já ter contato com a cultura oferecida no CCSP.
O objetivo é apresentar a cultura para ele, que eu não tive na minha infância, então todos os espetáculos, shows, tudo que tem disponível, a gente vem aqui. Até para acostumar, e no futuro, ele mesmo demonstrar interesse – disse ela.

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