Feira Folhetaria de Arte Impressa: a relação entre artistas e ateliê público

A Feira Folhetaria de Arte Impressa aconteceu durante os dias 2 e 3 de dezembro de 2017, no Centro Cultural São Paulo, sendo resultado dos processos artísticos desenvolvidos no ateliê público e nas oficinas da Folhetaria do CCSP – ateliê artesanal de arte impressa, cujos frequentadores aprimoram técnicas de impressão, como xilogravura, serigrafia, monotipia e tipografia – e trazendo, também, produções gráficas de fora.

Espaço da Folhetaria do CCSP – Foto: Fernando Netto

 

Conversamos com artistas que participaram da Feira e que utilizam o espaço da Folhetaria como meio de aprendizado e de produção artística. A partir de uma mesma pergunta, elas revelam sua relação com o espaço público da Folhetaria.

Por que você escolhe desenvolver os seus trabalhos num ateliê público e compartilhado como a Folhetaria do CCSP?

Bruno Clerice Gouvea (Gomes & Maia)

Sem título, xilogravura

 

“Gosto da Folhetaria do CCSP principalmente por ser um espaço bem localizado e público. Isso abre muito o leque de opções para trabalharmos sem ter um risco de investimento, pois todo o material que necessitamos está aqui. E, além disso, o ateliê público é um lugar de experimentação até para não artistas, pois existe a possibilidade de aprender as técnicas e se descobrir. É um lugar muito legal para principiarmos nas artes, e a ideia do ateliê e do FabLab é de ampliar ainda as opções de práticas artísticas. Outro ponto interessante daqui é a oportunidade de trocar experiências com outros artistas, como numa espécie de simbiose. Acho isso maravilhoso e único na cidade.”

 

Fernanda Souza

Sem título, xilogravura, 2017

 

“Ter um espaço público e compartilhado como a Folhetaria é uma oportunidade muito boa para aprender e desenvolver minha habilidade artística. É um aprendizado único estar próxima de outros artistas e poder trocar ideias e técnicas. Acredito que a divulgação cultural e artística que o CCSP também proporciona nos aproxima mais da sociedade e do nosso meio. E estando mais próximos ao nosso meio, mais próximos à nossa sociedade, se torna mais fácil fazer transformações nela.”

 

Isabella Finholdt

Sem título, serigrafia sob metal, 2015

 

“A Folhetaria do CCSP é um dos poucos espaços institucionais que é completamente aberto ao público, ou seja, é um marco muito importante e fundamental numa cultura democrática. O ateliê é voltado exclusivamente às práticas gráficas, como xilogravura, serigrafia, monotipia e tipografia, e à difusão, à reflexão e ao ensino desse tipo de arte e linguagem em suas mais variadas formas. Usar um ateliê público e compartilhado é ter uma série de responsabilidades comuns ao espaço e também de privilégios, como o de conviver com a diversidade e conhecer pessoas, trabalhos e projetos lindos e enriquecedores.”

 

Juliana Dandrea

Sem título, xilogravura

 

“Escolhi desenvolver meus projetos aqui na Folhetaria, pois, quando descobri o curso (Introdução prática à xilogravura), vi uma oportunidade mais acessível de trabalhar com esse tipo de técnica. O custo de um curso e material são altos e a Folhetaria é uma ótima alternativa. Acho muito legal ter a oportunidade de fazer isso tudo de graça, além de conhecer pessoas fazendo coisas parecidas com as suas, vivenciar essa experiência e fazer amizades. Me sinto inspirada todos os dias vendo a arte de outras pessoas e isso me fez continuar.”

 

Luiza Zelada

Cansei de migué, serigrafia, 2017

 

“Eu escolho fazer meus trabalhos no ateliê da Folhetaria primeiro porque eu sou funcionária aqui, pela facilidade do acesso; segundo pelo fato de ser um ateliê público compartilhado que possibilita muitas trocas. Você vê gente fazendo serigrafia, monotipia, xilogravura, e isso de algum jeito interfere no seu trabalho, do mesmo jeito que seu trabalho interfere no do outro também. E essa vivencia de ateliê tem uma troca muito rica, não só de referências externas como do trabalho mesmo, além de você conhecer muitas pessoas legais e trabalhos incríveis que você não conhece em outro lugar, que não estão em galerias ou museus, mas que estão no ateliê. É quase uma resistência você frequentar um ateliê público, de graça, sem ganhar nada, gastando dinheiro com papel e com tinta, mas por uma vontade, uma paixão, mesmo que depois você queira vender ou reverter em dinheiro de algum jeito. Eu acho que é um ato de resistência você frequentar o ateliê. Pra mim é muito bom sair do trabalho e descer na Folhetaria, começar a fazer alguma coisa. O técnico Rodrigo Taguchi é muito legal, ele ajuda e tem paciência com todo mundo, ele te explica do começo ao fim e deixa todo mundo muito confortável. A Folhetaria é um lugar democrático, tá todo mundo junto e todo mundo se respeita, elogia o trabalho do outro, então eu acho que a coisa mais legal de frequentar um ateliê público são as trocas.”

 

Mayara Biagiotti

Sem título, xilogravura

 

“Comecei a fazer o curso (Introdução prática à xilogravura) aqui na Folhetaria porque gosto muito do espaço, de todo material oferecido e por ter conhecido tanta gente. Acredito que isso ajude as pessoas a desenvolverem seus trabalhos. Inclusive, gostei muito da Feira de Arte Impressa, que aconteceu nesse último final de semana, deu pra conhecer o trabalho de outras pessoas.”

 

Paula Oribe

Sem título, xilogravura

 

“Acho que o Centro Cultural São Paulo é um espaço que acolhe a diversidade. Os corredores estão sempre cheios de pessoas dançando, além das lindas exposições que acontecem por aqui. E, em São Paulo, existe uma carência muito grande de cultura, e aí você tem esse espaço imenso com um monte de gente passeando e vendo shows, é muito bom. Porém, nunca havia frequentado a Folhetaria, mas me arrisquei e fiz a inscrição, pouco tempo depois me ligaram informando sobre o cadastro efetuado nas oficinas e agora estou aqui.”

Entrevistas, transcrição e edição: Danilo Satou, Fernando Netto e Vinícius Máximo
Foto de capa: João Silva
Colaboração: Rodrigo Taguchi (Folhetaria do CCSP)

Tags:, , , ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *