Mês da Cultura Independente


Detalhes do Evento

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Criado originalmente no Centro Cultural da Juventude (CCJ), o Mês da Cultura Independente (MCI), festival de artes promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, espalhou-se por vários espaços da cidade ao longo dos anos.

A proposta do evento é reunir artistas que produzem cultura de forma independente a partir de diversas linguagens artísticas que, em alguns casos, podem convergir. Além de shows, exposições, histórias em quadrinhos, literatura e cinema, uma das principais características do evento é a presença de celebrações de rua já tradicionais da cidade, como as festas promovidas por coletivos artísticos, além da presença de nomes internacionais de diversas áreas, como a banda de origem jamaicana The Skatalities, que se apresentou em 2011; Daniel Higgs, ex-integrante da cultuada banda norte-americana Lungfish; e Faust, grupo alemão dos anos 1970 considerado um dos pioneiros no gênero Krautrock.

BICHO DE QUATRO CABEÇAS
INDEPENDÊNCIA É O NORTE

Quatro das principais bandas independentes de São Paulo, Rakta, Bixiga 70, Metá Metá e Hurtmold, têm vários pontos em comum que tornam suas carreiras semelhantes, embora cada uma busque uma sonoridade completamente diversa. Em comum, além de prezarem pela própria sonoridade em detrimento de aspirações comerciais, o fato de gerenciarem as carreiras, terem projetos paralelos, transitarem entre diferentes públicos e artistas – e serem autossustentáveis.

Bicho de Quatro Cabeças é o encontro entre essas bandas no Centro Cultural São Paulo no Mês da Cultura Independente, em outubro de 2017. O evento de abertura também marca o início do MCI e conta com uma grande apresentação em quatro entradas. Neste show, integrantes das quatro bandas realizam uma inédita sessão de improviso, mudando formações, disparando para os quatro cantos de sua música. Serão quatro entradas, permitindo troca de públicos – quem ficar de fora acompanha as outras entradas em um telão na área externa da Sala Adoniran Barbosa.

O evento também conta com shows das bandas separadamente, além de apresentações que reúnem diferentes projetos paralelos dos quatro coletivos, permitindo até mesmo novas colaborações entre integrantes dos diversos projetos definidos no percurso.

 

PROGRAMAÇÃO

dia 5/10
Bicho de Quatro Cabeças
quinta, a partir das 19h, conforme a ordem abaixo:
19h Rakta
20h Metá Metá
21h Hurtmold
22h Bixiga 70

*dia 6/10
Acavernus/Carla Borega
sexta, às 21h (excepcionalmente no Espaço Mário Chamie – Praça das Bibliotecas)

dia 8/10
Rakta
domingo, às 18h

dia 13/10
A Espetacular Charanga do França
sexta, às 18h30

dia 14/10
Metá Metá
sábado, às 19h

dia 15/10
Anganga/MdM Duo
domingo, às 18h

dia 19/10
Décio & Held/Sambas do Absurdo
quinta, às 21h

dia 20/10
Atonito/Sambanzo
sexta, às 19h

dia 22/10 
Kiko Dinucci/Plim
domingo, às 18h

dia 26/10
Naxxtro/Bode Holofonico
quinta, às 21h

dia 28/10
Hurtmold
sábado, às 19h

dia 29/10 
Bixiga 70
domingo, às 18h

Sala Adoniran Barbosa (622 lugares)
grátis – a bilheteria será aberta duas horas antes do início da apresentação para a retirada de ingressos, que não estarão disponíveis pela internet – cada pessoa poderá retirar um par

*Para o Bicho de Quatro Cabeças, a bilheteria será aberta duas horas antes do início da primeira apresentação (ou seja, às 17h) para a retirada de ingressos para os quatro shows, e cada pessoa poderá retirar até dois ingressos, sendo um por show ou um par para um mesmo show. Após às 21h30, em virtude do fechamento da bilheteria, caso ainda haja ingressos para a apresentação das 22h, a retirada de ingressos poderá ser feita na entrada da Sala Adoniran Barbosa

 

SOBRE OS PROJETOS PARALELOS DA PROGRAMAÇÃO

Acavernus
O projeto individual de Paula Rebelatto, da banda Rakta, mescla poesia, vídeo e música experimental de forma intuitiva.

Carla Borega
Colagens sonoras, drone e ambiente se misturam neste projeto solo da baixista da banda Rakta.

A Espetacular Charanga do França
A já tradicional banda de baile liderada pelo saxofonista do Metá Metá, Thiago França, anima mais uma noite do projeto Baile Novo.

Anganga
O encontro do instrumental eletrônico de Cadu Tenório e da límpida voz de Juçara Marçal, do Metá Metá, propõe uma viagem intensa e reverente ao passado afro-brasileiro.

MdM Duo
Os irmãos Marinho e Fernando Cappi, guitarristas do Hurtmold, exploram o formato canção neste projeto de voz e guitarras.

Décio & Held
O baterista do Bixiga 70, Décio Sete, une-se ao guitarrista Gui Held para uma incursão musical inédita.

Sambas do Absurdo
Juçara Marçal, do Metá Metá, Rodrigo Campos e Gui Amabis desnudam o existencialismo em formato cru.

Atønito
O projeto de hard bop do saxofonista do Bixiga 70, Cuca Ferreira, conta com a participação de Loco Sosa e Rodrigo Fonseca.

Sambanzo
Thiago França, do Metá Metá, leva seu saxofone para uma viagem ao universo da percussão no espetáculo Coisas Invisíveis.

Kiko Dinucci
O guitarrista do Metá Metá mostra suas origens punk e seu sotaque suburbano em uma apresentação de seu primeiro disco solo, Cortes Curtos.

Plim
O baterista do Metá Metá, Sergio Machado, explora fronteiras musicais para além do space jazz, das trilhas sonoras e dos desenhos animados.

Naxxtro
Daniel Gralha e Cuca Ferreira, metais do Bixiga 70, tocam ao lado de Leandro Archela, Cacá Amaral e Iládio Davanse num projeto de pura desconstrução sonora.

Bode Holofonico
Guilherme Granado, do Hurtmold, e Leandro Archela fazem manipulação eletrônica improvisada ao vivo.

Corte
Cuca Ferreira, Daniel Gralha e Marcelo Dworecki, do Bixiga 70, acompanham a diva Alzira Espíndola em seu novo e intenso projeto.

M. Takara
O baterista do Hurtmold, Maurício Takara, apresenta suas incursões musicais, que vão do jazz ao found sound.

 

AS BANDAS FALAM SOBRE SER INDEPENDENTES

Hurtmold
‘‘O caminho independente sempre foi a forma de fazer as coisas acontecerem, nunca foi uma escolha consciente. É a forma natural de se existir como artista. É ter uma banda e fazer o que for necessário para ela existir. Não é só fazer as músicas, mas também marcar show, divulgar show, colar cartaz, fazer a arte do cartaz, gravar o disco, lançar o disco… A gente sempre viu isso de uma forma pessoal e próxima, uma relação comunitária com a música e com a produção musical, sem visão empresarial ou corporativa. É a manufatura de um exercício, o que precisa ser feito vai ser feito por cada um de nós e por nossos amigos. E, passados 20 anos, dá para perceber o peso disso, tanto artisticamente – nossa música sempre foi para onde a gente quis, nunca tivemos que responder para ninguém –, quanto de forma prática. É bem possível que a independência seja responsável pela existência da banda por 20 anos. Nesse período, a chamada indústria da música deu tantas voltas, teve tantos altos e baixos, que podem até refletir indiretamente no que a gente faz. Mas, nesse mesmo período, viemos operando exatamente da mesma forma. Passamos longe dessas noções de ‘crise na indústria’ ou ‘crise na arte’ porque fazemos tudo nós mesmos.”

Bixiga 70
“A festa do improvável. Essa frase é uma excelente definição para o Bixiga 70. São muitos complicadores juntos: banda, instrumental, dez músicos… Tinha tudo para não passar do segundo show. Mas seguimos, já há sete anos, mais de 400 shows (dos quais uns 100, em mais de 15 países), colaborações com artistas que nem sonhávamos, como João Donato, Elza Soares, Orlando Julius, Marlena Shaw, Tulipa Ruiz, Liniker, entre tantos outros.
O que mantém o caminhão subindo a ladeira é o que conseguimos construir desde a primeira vez que tocamos juntos: um espaço de celebração da liberdade. Tirar o instrumento do case, fechar os olhos e tocar com o Bixiga sempre representou isso: entrar em outro universo, de liberdade de expressão e intensa troca de energias. O público percebe isso desde o começo e os shows sempre foram uma grande catarse por isso. É essa sensação que justifica todos os perrengues que, desde o primeiro dia, tivemos que enfrentar. Como vender uma banda grande, cara, que faz música instrumental? Como administrar a relação indivíduo/coletivo? Como gravar e lançar um disco? Como desenhar um planejamento para o ano? Como administrar o dinheiro? Como gerenciar os licenciamentos? Como começar uma carreira internacional? Foram milhares de perguntas que fomos tendo que aprender a responder na marra. Não tinha manual. Não tinha muita referência, não tinha muito de quem copiar nenhum modelo. Claro que nessa hora o fato de sermos dez, com origens muito diferentes, é fundamental. Cada um vai contribuindo dentro da sua capacidade. E, ao longo do tempo, uns se cansam, dão um tempo, depois voltam, e assim seguimos. Sempre empurrando o caminhão ladeira acima. Ser independente nunca foi uma escolha. A escolha foi fazer o som que sempre sonhamos e não sabíamos que podia existir.”

Metá Metá
“Independência primeiro pela falta de escolha, depois essa falta de escolha vira a maior das escolhas, quase uma religião. Não nascemos para o mainstream, não sabemos os passos dessa dança. O que importa, acima de tudo, é o som. Esse compromisso nos obriga a defender a nossa música com unhas e dentes, sem ninguém nos ditando regras ou atravessando. Mas não estamos sós, existe uma legião de pessoas famintas por arte e cultura, aproximamo-nos delas lentamente, sem pressa, no sapatinho, numa relação intensa e consistente, talvez eterna. Esse é o momento em que tudo parece fazer sentido e temos a sensação plena de que a caminhada não é em vão.”

Rakta
“A importância de ser um artista independente é sobre a independência criativa. A independência dos processos. O poder de escolher os caminhos que se quer seguir. Autonomia.”

Foto: Sossô Parma