Insurgências Posithivas


Detalhes do Evento


1º/12/2019

O que as pessoas que vivem com HIV têm a dizer sobre viver potiHIVamente no Brasil hoje? Qual o futuro da AID$ aqui? Qual o futuro das pessoas vivendo com HIV/AID$ no Brail? Perguntas como estas são pertinentes no momento em que a ciência e a tecnologia correm em direção ao controle biomédico da epidemia, ao mesmo tempo que o desenvolvimento social e o combate a iniquidades parecem ser horizontes distantes. Embora o diagnóstico positivo para HIV não seja mais sinônimo de morte, milhares de vidas ainda são levadas por essa epidemia. Insurgências Posithivas reunirá artistas que vivem com HIV/AID$, ativistas e pesquisadores que tratam do tema. No Dia Mundial de luta contra a AID$, este evento pretende fortalecer a luta contra a epidemia no Brasil.

PROGRAMAÇÃO

Lançamento de livro

Águas Passadas, de Aline Ferreira
Antes de me perder de mim, eu vi minha filha virar água, escorrer pelo ralo do banheiro, eu nem consegui segurá-la em minhas mãos, tão pouco em minha barriga. Vi um pouco da minha filha nas águas que escorreram dos olhos de minha avó e de minha irmã, quando já não existia mais nada de minha filha em mim… Quase pude beijar minha filha quando mergulhei na cor de mel dos olhos de minha mãe, mas ela fechou os olhos e deu as costas… Desde então, estive grávida deste livro… Um livro sobre o que tenho encontrado nessa busca de mim, um desses livros que não são escritos para serem
entendidos, tampouco para ser uma resposta, ou um ensinamento… Mas para ser sentido com o coração.

domingo – das 14h às 15h – Sala Adoniran Barbosa

 

Ciclo de performances

Velório de Maria Sil
Performance multimídia da artista Maria Sil sobre os processos de morte social que atravessam seu corpo transvestigênere e que vive com HIV/Aids. Enquanto é publicamente velada em um caixão de papelão a artista faz-se morta para ser ouvida e criar um caminho para repensar as estruturas sociais, pessoais e relacionais que mantêm em 35 anos a expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil.
Com: Maria Sil – performer

domingo – das 15h30 às 15h45 – Sala Adoniran Barbosa

Necropolitica da AID$
Performance baseada no estudo da Coletiva Loka de Efavirenz sobre a teoria desenvolvida por Achille Mbembe sobre Necropolitica aplicada à vivência com AIDS/HIV. A artista veste uma saia repleta de antirretrovirais e dança uma dança rastejante que trata das dores, desmitificando os tratamentos como finalização do sofrimento. Trazendo à tona o debate sobre indetectabilidade, cobre o rosto com uma máscara de espelhos, colocando a sociedade de frente para os seus próprios julgamentos.
Com: Pepê Serra – performer e Lady Vieira (direção)

domingo – das 16h às 16h30 – Sala Adoniran Barbosa

Estamos falando embaixo d’água?
Sete mil bexigas representam as sete mil mulheres que se infectam com HIV todos os dias no mundo. Isso porque o pulmão representa a vontade de viver de cada um de nós, e problemas pulmonares são algumas das principais causas de mortalidade nas pessoas vivendo com HIV. Ao encher as bexigas a artista reproduz o movimento divino de soprar o ar da vida em cada uma delas.
Com: Aline Ferreira – performer

domingo – das 17h às 17h30 – Sala Adoniran Barbosa

 

Ciclo de debates

História da AIDS: escurecendo perspectivas
A historiografia da epidemia de aids, sobretudo com relação ao ativismo em direitos sociais e humanos nesse assunto, é povoada por histórias fantásticas de coletividade, ousadia política e lutas, principalmente das populações historicamente oprimidas. No entanto, o embranquecimento dessas histórias é notório quando vemos a representação atual do HIV e, sobretudo, do desenvolvimento dos enfrentamentos à epidemia no último período. A reapresentação “ideal” de quem vive “normalmente” com HIV é a de pessoas brancas, sobretudo homens de classe média ou das elites econômicas. O ativismo mais lembrado também é o da branquidade. E nós, população negra, pobre, periférica, onde estivemos em quase quatro décadas de epidemia?
Convidados: Aline Ferreira – Mediação: Carolina Iara de Oliveira

domingo – das 15h15 às 16h15 – Sala de Ensaio 1

Estigma e Criminalização

A criminalização da transmissão do HIV não é uma pauta para ser esquecida. Em plena expansão em diversos países do mundo e com o avanço da judicialização da saúde no Brasil, sobretudo a partir dos anos 1990, temos enfrentado inúmeras tentativas de se criarem leis específicas para criminalizar uma suposta transmissão deliberada do vírus. Uma miscelânea de controvérsias e de atores sociais já dividiu em disputas políticas representantes da Bancada da Bala contra movimento social de AIDS, e até mesmo atores internacionais, como o UNAIDS; ao passo que a grande mídia fornecia o caldo necessário para embasar os pânicos e assustar a sociedade com a ideia de que havia homossexuais que espalhavam AIDS de propósito.

A construção da história da epidemia de AIDS possibilitou com que tais pânicos tivessem poder para se incrustar na sociedade. Criaram-se corpos vistos como perigosos e vetores de doença, e difundiram-se essas ideias a partir dos inúmeros braços sociais: Igreja, Ciência, Direito, Mídia, e diversas outras instituições, e já utilizaram até mesmo a polícia para perseguir e matar travestis com o pretexto de “combater” a epidemia. Hoje, o Brasil se utiliza de leis gerais (art. 129, 130 e 131 do Código Penal) para punir pessoas por supostamente transmitir o HIV. Nesse sentido, cabe-nos igualmente questionar como se dá o processo de construção do sistema criminal-punitivista-brasileiro. Seria o cárcere a única alternativa para uma pretensa “ressocialização” do sujeito? Ou estaríamos diante de uma estrutura arcaica e fundamentada em ideologias colonialistas, escravocratas e evolucionistas construídas desde o Império e sofisticadas ou atualizadas com o objetivo de manter um modus operandi da República brasileira?
Convidados: Juliana Borges e Claudio Pereira (GIV) – Mediação: Pisci-Bruja

domingo – das 16h30 às 17h30 – Sala de Ensaio 1

Epidemia Social de AID$: uma abordagem necropolítica
O filósofo Achile Mbembe aborda em seu trabalho Necropolítica uma leitura racializada das políticas de morte engendradas pelo sistema capitalista. Nesta atividade, a Coletiva Loka de Efavirenz convida o público para uma imersão nas discussões sobre a epidemia de AID$ a partir de uma experiência de leitura coletiva da obra do filósofo numa abordagem epidemiológica.
Com: Coletivo Loka de Efavirenz

domingo – das 17h45 às 18h45 – Sala de Ensaio 1