De Volta à Militância Underground: Os Vídeos de Rita Moreira


Detalhes do Evento


19 a 22/9/2019

A paulistana Rita Moreira (nascida em 1944) é conhecida por seu ativismo nas causas políticas e sociais, principalmente as ligadas ao feminismo e ao lesbianismo. Após trabalhar durante anos como redatora, tradutora e editora, ela se mudou para Nova York, onde se formou, em 1972, na New School for Social Research. Em Nova York foi correspondente do jornal Opinião e colaboradora de revistas brasileiras, como Realidade, Nova, Psicologia Atual, entre outras publicações, dando início, ao mesmo tempo, à internacionalmente premiada produção de videodocumentários. Paralelamente, Rita continuou com trabalhos jornalísticos e editoriais para a Globo, a Time Life, a Abril e foi editora de etimologia da Enciclopédia Larousse. Publicou quatro livros de poesia e, após anos, retoma sua produção de videodocumentário.

Sala Lima Barreto (99 lugares)
entrada gratuita – a bilheteria será aberta uma hora antes da primeira sessão do dia

PROGRAMAÇÃO

19/9
17h Programa 1: Pioneira do Vídeo Portátil (3 filmes, 82min)

A experiência de mães lésbicas e seus desafios. Forest Hope, uma mulher barbada entrevista outras mulheres na rua sobre pelos faciais. Diferentes opiniões de mulheres sobre a relação entre feminismo e lesbianismo. Esses são os temas dos três primeiros vídeos realizados por Rita Moreira e Norma Bahia Pontes durante o período em que viveram em Nova York, na década de 1970. Rita comenta a série: “Em 1972, em NYC, no primeiro curso de vídeo da New School for Social Research, nosso primeiro vídeo, Lesbian Mothers, foi escolhido para representar aquela famosa escola no Primeiro Festival de Vídeo de Tóquio.”

Lesbian Mothers (dir. Rita Moreira e Norma Bahia Pontes, 1972, 27min)
She Has a Beard (dir. Rita Moreira e Norma Bahia Pontes, 1972, 26min)
Lesbianism Feminism (dir. Rita Moreira e Norma Bahia Pontes, 1974, 29min)

20/9
14h Programa 2: Vivendo em Nova York (3 filmes, 69min)

Um passeio em Nova York expõe a situação da comunidade negra confinada nos guetos da cidade. Dois depoimentos comoventes, de uma viciada e uma enfermeira, são intercalados para abordar o impacto das drogas sobre o indivíduo e as dificuldades das políticas públicas em tratar do assunto. A experiência de uma lésbica feminista ao ter que reformar sozinha o apartamento que alugou e dividir o tempo entre seus projetos teatrais e o trabalho como motorista de táxi. Rita comenta: “Minha parceira na época, já cineasta formada em Paris, Norma Bahia Pontes, recebeu prêmio da Fundação Guggenheim com o projeto “Living in New York City, do qual fazem parte os vídeos que fizemos em Nova York nos anos 1970.”

Walking Around (dir. Rita Moreira e Norma Bahia Pontes, 1977, 26min)
On Drugs (dir. Rita Moreira e Norma Bahia Pontes, 1977, 16min)
The Apartment (dir. Rita Moreira e Norma Bahia Pontes, 1975/76, 27min)

21/9
14h Programa 3: O Brasil em VHS (3 filmes, 72min)

Entrevistas com mulheres e homens pretos sobre suas dificuldades e a luta contra o racismo na cidade de São Paulo. Um retrato de Maria Benedita Machado, uma mulher negra, moradora de rua, que atua livremente para a câmera enquanto conta sua rica história de vida. Denúncia sobre a onda de crimes homofóbicos ocorridos na cidade de São Paulo no final da década de 1980. Sobre a sessão, Rita comenta: “De volta ao Brasil em 1980, continuei a fazer videodocumentários de cunho social, tendo recebido mais alguns prêmios por meus trabalhos, agora em VHS, que substituiu o original Open Reel, dos meus primeiros vídeos.”

A Raça na Praça (dir. Rita Moreira, 1988, 27min)
A Dama do Pacaembu: Um Retrato do Brasil (dir. Rita Moreira e Maria Luisa Leal, 1980, 21min)
Temporada de Caça (dir. Rita Moreira, 1988, 24min)

22/9
14h Programa 4: Feminismo Ontem e Hoje (2 filmes, 50min)

A mobilização feminina em 2018, em São Paulo, em protesto pelo assassinato da vereadora carioca Marielle Franco. Uma breve biografia sobre a renomada feminista norte-americana Ti-Grace Atkinson. Rita comenta: “Apesar de alguns avanços individuais no mundo todo, a opressão das mulheres persiste e me chama a atenção. Há anos sem fazer vídeos, lancei-me novamente na militância documental mais que nunca underground.”

Caminhada Lésbica por MARIELLE (dir. Rita Moreira, 2018, 16min)
TI-GRACE ATKINSON – Uma Biografia de Ideias (dir. Rita Moreira, 2019, 34min)