Como, Onde, Por quê: Andrea e Sam

A Equipe de Base Warmis é um coletivo de mulheres voluntárias, imigrantes e brasileiras, que empreende ações que buscam a melhoria das condições de vida de suas comunidades. Conversamos com duas integrantes do coletivo, a Andrea e a Sam, para a seção Como, Onde, Por quê, cuja proposta é apresentar histórias de quem chega ao Centro Cultural de alguma forma, escolhe seu lugar para ficar e resolve voltar por diversas razões. Abaixo, você pode conferir a transcrição da conversa em português, espanhol e inglês.

COMO?/¿CÓMO?/HOW?

Andrea: Eu cheguei ao Brasil há sete anos e o primeiro lugar que eu conheci foi o Centro Cultural por indicação do meu companheiro — que é paulistano e gosta muito daqui — e eu super amei. Durante dois anos, a gente vinha toda quarta para as aulas de dança de salão. Eu parei as aulas porque tive filho, a vida mudou, enfim, mas temos uma sala para reuniões da Equipe de Base Warmis num prédio aqui em frente, então a gente está sempre vindo, eu trago muito meu filho pequeno pra cá. A Equipe de Base Warmis veio parar aqui muito por acaso, na verdade. Estávamos gravando no Jardim Suspenso e chegou o Nelson, da Comunicação do CCSP na época, que ficou super empolgado com o projeto e nos levou para conversar com a Administração do Centro Cultural. Daí começamos a fazer os encontros aqui também, às quintas. Era uma coisa que a gente queria muito.

Andrea: Llegué a Brasil hace 7 años y el primer lugar que conocí fue el Centro Cultural por indicación de mi compañero — que es paulistano y le gusta mucho este lugar — y a mi me encantó. Durante dos años, vinimos todos los miércoles para las clases de danza de salón. Dejamos de venir a las clases porque tuvimos un hijo, nuestra vida cambió, en fin, pero tenemos una sala para reuniones del Equipo de Base Warmis en un edificio aquí al frente, así que siempre venimos, yo traigo mucho a mi hijo aquí. El Equipo de Base Warmis, la verdad, llegó aquí por casualidad. Estábamos grabando en el Jardín Colgante y llegó Nelson, del área de Comunicación del CCSP en ese momento, que quedó super entusiasmado con el proyecto y nos llevó a conversar con la Administración del Centro Cultural. Después de eso empezamos a hacer los encuentros aquí todos los jueves. Era algo que queríamos mucho.

Andrea: I arrived in Brazil seven years ago and the first place I went to was the Centro Cultural, which my partner recommended. He is Paulistano (from the city of São Paulo) and really likes this place, and I loved it. We came here every Wednesday for two years for dance classes. I stopped taking the classes because I had my son, life changed. Still, we have a meeting space for the Equipe de Base Warmis in a building right in front of here, so we come by here frequently. I bring my young son here a lot. Actually, the Equipe de Base Warmis happens to stop by here a lot. We were filming in the upstairs garden here, and Nelson, from the Communications Department of CCSP at the time, became very excited and interested in the project, which opened up a conversation with the Administrative department of CCSP. From there, we began to have meetings here on Thursdays as well. It was something that we wanted a lot.

Sam: Eu estou no Brasil faz dois anos e meio e há um ano uma amiga brasileira me falou que eu precisava conhecer o Centro Cultural. Eu fiquei super animada quando conheci o lugar, ela me mostrou um pouquinho da Biblioteca e também vi todas as pessoas dançando, fazendo tudo… Parecia um espaço super público, aberto. E na Califórnia não tem um espaço assim, só a praia mesmo, mas não um prédio. Depois, eu comecei a participar das reuniões da Equipe de Base Warmis no prédio em frente do CCSP e eu fiquei super animada por estar ao lado daqui e poder frequentar mais também.

Sam: Yo estoy en Brasil hace dos años y medio y hace una año una amiga brasileña me dijo que tenía que conocer el Centro Cultural. Me encantó cuando conocí este lugar, ella me mostró un poco de la Biblioteca y también vi a todas las personas bailando, haciendo de todo… Parecía ser un espacio súper público, abierto. En California no existe un lugar así, sólo la playa, pero no un edificio. Después empecé a participar de las reuniones del Equipo de Base Warmis en el edificio del frente del CCSP y me encantó por estar aquí al lado y poder venir más.

Sam: I’ve been in Brazil for two and a half years and a year ago my Brazilian friend told me that I needed to go to the Centro Cultural. I was so excited when I visited here. She showed me the library and I saw all of the people dancing, doing everything… It seemed like such a public space, so open. And in California we don’t have a space like that, just the beach, but not a building. Later, I began to participate in the meeting of Equipe de Base Warmis in the building in front of the CCSP and I was so excited to be next to and to be able to frequent the space more as well.

 

ONDE?/¿DÓNDE?/WHERE?

Andrea: Eu gosto do Centro Cultural inteiro, na verdade. Eu gosto porque é um lugar pra você vir e ficar. No começo, assim que cheguei ao Brasil, não tinha amigos, às vezes nem estava trabalhando, mas vinha pra cá só pra sair de casa e estar em algum lugar, sabe? E agora que eu tenho filho, venho com ele, ele adora correr, sobe as rampas, vai no jardim… A gente vem muito aos shows com ele, quando começam cedo, até às 19h, e ele super curte.

Andrea: A mi en verdad me gusta el Centro Cultural entero. Me gusta porque es un lugar donde uno puede venir y estar. Al principio, cuando llegué a Brasil, no tenía amigos, a veces no tenía trabajo para hacer y venía aquí sólo para salir de la casa y estar en algún lugar. Ahora que tengo un hijo, vengo con él, a él le encanta correr, sube por las rampas, va al jardín… Venimos bastante a los shows con él, cuando empiezan temprano, hasta las 19 hrs, y él se divierte un montón.

Andrea: I like the whole Centro Cultural, in reality. I like it because it’s a place where you can come and stay. In the beginning, when I arrived in Brazil, I didn’t have friends and sometimes I didn’t have work, but I would come here just to leave the house and to be in a different place, you know? And now that I have my son, I come with him and he loves to run, go up the ramps, go to the garden… We come a lot to the shows with him, when they begin early, until 7 pm, and he enjoys them a lot.

Sam: Eu acho que não é um lugar, um espaço, o que eu mais gosto é a vibe, a atitude das pessoas. Tem pessoas fazendo um monte de atividades no mesmo espaço e ninguém está chateado com ninguém, vira uma comunidade super legal, com uma vibe super aberta e alegre, que eu acho muito linda.

Sam: No es un lugar, un espacio, lo que más me gusta es la onda, la actitud de las personas. Hay personas haciendo un montón de actividades en el mismo lugar y nadie se enoja con nadie, pasa a ser una comunidad, con una onda super abierta y alegre, que yo encuentro súper bonita.

Sam:
 I think it’s not a particular place, a space, that I like most. What I like most is the vibe, the attitude of the people. There are people doing a ton of activities in the same space and no one is annoyed or mad at anyone. It turns into a really cool community with a happy and open vibe that I think is beautiful.

 

POR QUÊ?/¿POR QUÉ?/WHY?

Andrea: Numa cidade tão grande como São Paulo, a gente sempre fica muito perdido quando chega, sem saber pra onde ir. E um lugar que me trouxe segurança quando cheguei foi o Centro Cultural. Eu sabia que podia ficar aqui, me sentia tranquila, segura, e ao mesmo tempo podia ler, fazer um monte de coisas. Na verdade, o que mais me ensinou sobre São Paulo e sobre o Centro Cultural foram as aulas de dança. Eu sou de Santiago, uma cidade que até cinco anos tinha muito pouca imigração, pouca diversidade, e eu entrava aqui e tinha um monte de japoneses, velhinhos, pessoas em situação de rua, e todo mundo dançando junto, sem olhar com desconfiança pro outro. Isso é maravilhoso, pra mim foi muito bacana. O Centro Cultural, pra mim, representa a cidade, o coração da cidade, a diversidade.

Andrea: En una ciudad tan grande como San Pablo una siempre queda muy perdida cuando llega, sin saber a dónde ir. Y un lugar que me daba seguridad cuando llegué fue el Centro Cultural. Yo sabía que podía estar aquí, me sentía tranquila, segura, y al mismo tiempo podía leer, hacer un montón de cosas. En verdad lo que más me enseñó sobre San Pablo y sobre el Centro Cultural fueron las clases de danza de salón. Yo soy de Santiago, una ciudad que hace cinco años tenía muy poca migración, poca diversidad, y entraba aquí y había un montón de japoneses, viejitos, personas en situación de calle y todos bailando juntos, sin mirar con desconfianza al otro. Eso es maravilloso, para mi fue muy importante. El Centro Cultural representa para mi la ciudad, el corazón de la ciudad, la diversidad.

Andrea: In a city as big as São Paulo, we always get lost when we get here, without knowing where to go. A place that made me feel safe when I arrived was the Centro Cultural. I knew that I could stay here. I felt calm, safe and at the same time I could read and do a bunch of other things. In truth, what taught me the most about São Paulo and the Centro Cultural were the dance classes. I’m from Santiago, a city that until about five years ago had few immigrants, little diversity. I came here and there were a ton of Japanese people, older folks, people who live on the streets, and everyone was dancing together without distrusting each other. That is amazing, for me it was awesome. The Centro Cultural, for me, represents the city, the heart of the city, diversity.

Sam: Porque é um espaço que mostra a diversidade, como a Andrea falou. Você vê pessoas dançando diferentes tipos de dança, também tem um monte de tipos de arte, tem jardins, tem pessoas brincando… É um espaço pra mostrar a variedade de gostos, de pessoas. Isso é uma das coisas mais legais de morar numa metrópole como esta, que traz tantas pessoas de diversas regiões e com várias ideias, tradições, religiões… Tudo isso faz uma mistura tão linda, que a gente vê aqui no Centro Cultural.

Sam: Porque es un espacio que muestra la diversidad, como dijo Andrea. Tú ves personas bailando diferentes estilos, también hay un montón de tipos de arte, hay jardines, personas jugando… Es un lugar para mostrar la variedad de gustos, de personas. Esa es una de las cosas más interesantes de vivir en una metrópolis como esta que trae tantas personas de diversas regiones con ideas variadas, tradiciones, religiones… Todo eso resulta en esa mezcla tan linda que vemos aquí en el Centro Cultural.

Sam: Because, like Andrea said, it is a space that shows the diversity of the city. You see the people dancing different types of dances, there are also a bunch of types of art, gardens, people playing. It’s a space that showcases the variety of tastes, of people. That’s one of the coolest things about living in a metropolis like this, that it brings together so many people from diverse regions, different ideas, traditions, religions…all of that makes a beautiful mixture that we can witness at the Centro Cultural.

Créditos
Entrevista: Vinícius Máximo
Tradução: Andrea Carabantes (espanhol) e Samantha Serrano (inglês)
Fotos: João Silva

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