foto história da discoteca - acervoDiscoteca Oneyda Alvarenga,
80 anos

 

Considerada um dos mais importantes acervos especializados em música do mundo, a Discoteca Oneyda Alvarenga contém múltiplos gêneros musicais de discos de 78rpm e 33rpm, além de livros de música, periódicos e hemeroteca musical e mais de 60 mil partituras que versam entre o popular e o erudito. Nos últimos dez anos já atendeu mais de 120 mil usuários. Hoje ela vem se adaptando aos novos padrões de difusão e acesso.

Histórico
As principais preocupações de Mário de Andrade como gestor do Departamento de Cultura da Cidade de São Paulo eram a defesa do patrimônio histórico e a implantação de uma rádio escola, uma emissora que serviria para educar a população, atingindo, sobretudo, camadas menos privilegiadas. Espelhando-se em experiências europeias e testemunhando o trabalho de Roquete Pinto com o rádio no Brasil, o escritor criou a Discoteca Pública Municipal em 1935. O acervo da Discoteca serviria para manter a programação da rádio escola.

Para dirigir a Discoteca, Mário de Andrade escolheu sua aluna, a musicista, etnóloga e poetisa Oneyda Alvarenga, que organizou o acervo da Discoteca e os primeiros projetos de Pesquisa do Departamento de Cultura. Infelizmente o projeto da rádio escola não decolou. No entanto, Oneyda aproveitou o acervo para criar audições públicas de discos, os Concertos de Discos, programas didáticos que apresentavam desde o período medieval até a música contemporânea da época.

Depois de sua implantação, a Discoteca Pública Municipal teve seu acervo instalado em locais distintos da cidade, como uma ala no edifício do Theatro Municipal de São Paulo, dois andares do prédio da Associação Paulista de Medicina e uma sala fechada no bairro da Lapa. Em 1982, com a criação do Centro Cultural São Paulo, a Discoteca acabou encampada pela instituição. Em 1987 foi rebatizada com o nome de sua primeira diretora, Oneyda Alvarenga, que ficou no cargo até 1968.

Mário de Andrade
O intelectual, poeta modernista, crítico e pesquisador também tem uma grande importância como gestor cultural. Mário de Andrade foi o primeiro chefe do Departamento de Cultura da Cidade de São Paulo, embrião do que hoje conhecemos como Secretaria Municipal de Cultura. O organismo foi criado em 1935 pelo prefeito Fábio Prado para se ocupar da gestão e da programação de teatros, cinemas, salas de concerto, Biblioteca e da Discoteca Pública.

Com foco na preservação e na pesquisa do patrimônio histórico e artístico, criou uma Discoteca Pública Municipal e tentou implantar uma rádio escola. Como estudioso e pesquisador da cultura, Mário de Andrade analisou a programação das emissoras de outros países e baseou-se nas rádios educativas que conhecia na Europa e nas iniciativas de Roquete Pinto, no Rio de Janeiro. Seu projeto de rádio escola seria uma forma de promover a instrução fora da educação formal, atingindo, por meio das ondas do rádio, também as camadas menos favorecidas da população. Essa rádio chegaria ao alcance do público por meio de uma estação difusora e apresentaria palestras, cursos para universitários e para os menos letrados; enfim, tudo o que pudesse contribuir para aperfeiçoar a cultura da população.

Oneyda Alvarenga e o sonho da rádio escola
Ela nasceu em Varginha, Minas Gerais. Veio para São Paulo para aperfeiçoar seus estudos e conheceu Mário de Andrade no Conservatório Dramático e Musical. Mas a menina não tinha nada em comum com a maior parte das frequentadoras daquele estabelecimento de ensino. Oneyda tinha conhecimento erudito e era poetisa, destacando-se por seus méritos e talentos na instituição. Naturalmente, tornou-se amiga e confidente do poeta modernista, uma das razões de sua indicação para dirigir a Discoteca Pública Municipal.

Formada em 1934, Oneyda aceitou o convite do antigo mestre e tornou-se diretora da Discoteca Pública Municipal, criada em 1935, cargo no qual permaneceu até 1968.

Assim nasceram os Concertos de Discos da Discoteca Municipal, com roteiros didáticos preparados por Oneyda Alvarenga. A Diretora selecionava as obras de referência e lia os textos antes das apresentações para o público.

Entre seus principais projetos, destacam-se os Concertos de Discos, apresentações em formato radiofônico, realizadas em salas de concerto da cidade de São Paulo, com gravações selecionadas do acervo da Discoteca Pública Municipal de São Paulo. A diretora procurava no acervo de música contemporânea algo que pudesse apresentar ao público, de maneira a proporcionar um repertório novo aos ouvidos leigos, mas que, ao mesmo tempo, não espantasse a freguesia. Era uma tentativa de formar plateia para a escuta da música contemporânea.

Os Concertos de Discos começaram a ocorrer em 20 de julho de 1938 e perduraram até 18 de junho de 1942. Devido à mudança de sede da Discoteca, foram interrompidos por um período de 11 anos. Retomados em 30 de julho de 1953, permaneceram até junho de 1958.

Outro ponto importante era a pesquisa realizada a partir das escolhas musicais dos frequentadores da Discoteca. A partir do acesso do público ao acervo, Oneyda fazia um estudo estatístico das referências musicais preferidas pelo público.

 

> Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados (exceto Carnaval e Páscoa), das 10h às 18h.
Atenção: A consulta a audições só será permitida até 1 hora antes do término do expediente e a entrada de usuários, até 30 minutos antes do fechamento da Discoteca.
Informações: 3397-4071 ou pelo e-mail discoteca@prefeitura.sp.gov.br

Os serviços oferecidos pela Discoteca são:

  • Empréstimo de livros
  • Empréstimos especiais a instituições
  • Atendimento a pesquisas pontuais via telefone e e-mail
  • Audição de discos e CDs
  • Plataforma Paradas Sonoras