Dilermando Reis:
Sua Majestade, o Violão

 

Em 2016 completou-se o cinquentenário de nascimento de Dilermando Reis.
Violonista e compositor brasileiro, nascido em Guaratinguetá, São Paulo, no dia 22 de setembro de 1916. Considerado por muitos o violonista mais influente do Brasil. Gravou até dois anos antes de sua morte aos 61 anos.

Começou a estudar violão com o pai, o violonista Francisco Reis, ainda na infância. Em 1931, aos 15 anos de idade, já era conhecido como o melhor violonista de Guaratinguetá. Neste mesmo ano, assistindo a um concerto do violonista Levino da Conceição, que se apresentava na cidade, tornou-se seu aluno e seu acompanhador, seguindo-o em suas excursões.
Em 1933 junto com Levino vai para o Rio de Janeiro para se encontrar com o violonista João Pernambucano, amigo de Levino. Em 1934, Levino Conceição, a pretexto de ir a Campos, deixou pagos 15 dias de hotel para o jovem violonista e nunca mais voltou. Sozinho na cidade procurou auxílio com João Pernambuco, que o acolheu.

Inicia sua vida profissional aos 18 anos de idade. Atuou como instrumentista, professor de violão, compositor e arranjador. Deu aulas numa loja de instrumentos musicais na rua Buenos Aires. Em 1935, passou a lecionar na loja “A Guitarra de Prata”.
Começou a acompanhar calouros na Rádio Guanabara. No intervalo de uma dessas apresentações, solava a valsa “Gota de Lágrima”, de Mozart Bicalho quando o radialista Renato Murce ouviu e gostou. Levou o violonista para a Rádio Transmissora.
Dilermando atuou nas emissoras cariocas em um período que vai de 1936 a 1969, na Rádio Transmissora (de 1936 a 1940), transferindo-se posteriormente à Rádio Clube do Brasil (de 1940 a 1953), e por último na Rádio Nacional (de 1956 a 1969) a emissora mais valorizada na época.
Na Nacional, a carreira de Dilermando Reis foi consolidada, a emissora contribuiu para a valorização pessoal do músico, colocando-o no grupo de artistas consagrados que atingiram grande prestígio. Nesta emissora ele ganhou um programa de violão intitulado Sua Majestade, o Violão, apelido pelo qual ficou conhecido. Trazendo ao contexto atual, podemos dizer que a aceitação da música e da imagem de Dilermando Reis, criada no rádio da época se assemelha a um programa na TV aberta de hoje.

Em 1960, lançou “Melodias da Alvorada”, em homenagem à nova capital, com arranjos e regência de Radamés Gnattali.
Em 1970, Radamés Gnattali dedicou ao violonista o Concerto nº1, gravado nesse mesmo ano.
Como professor, ensinou a grandes violonistas dentre os quais Darci Vilaverde e Bola Sete. Foi também professor de Maristela Kubitscheck, filha do presidente Juscelino, de quem foi grande amigo e parceiro de serenatas. Essa amizade, aliás, valeu a Dilermando a nomeação para um cargo público, o que lhe ajudou bastante na sua parte financeira.

Em alguns de seus LPs foi acompanhado pelos grandes violonistas Horondino Silva, o Dino Sete Cordas e Jaime Florence, o Meira.
Dilermando Reis, em 34 anos de trabalho, foi um compositor muito fértil, compôs e gravou 130 obras para violão até o final da década de 1970, deixando ainda manuscritos de músicas não gravadas. Suas peças violonistas lhe deram a posição de melhor violonista popular brasileiro, devido a sua grande aceitação por parte do público.
A vasta obra de Dilermando Reis transformou-se na representação do estilo e da sonoridade do nosso violão solo na Era do Rádio.
Dilermando dos Santos Reis morreu no Rio de Janeiro, no dia 02 de janeiro de 1977.

O Acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga possui várias obras de Dilermando Reis, tanto em 78 rpm como em 33 rpm. Muitas dessas obras encontram-se na coleção Ronoel Simões que é dedicada ao violão.

Pesquisa, texto e seleção musical: Álvaro de Souza

 

Ouça abaixo uma pequena mostra do que encontramos de Dilermando na Discoteca, e venha pesquisar sobre ele e sua obra ou simplesmente sentar, relaxar e ouvir seus discos no espaço de audição sonora.

Odeon
título do disco: Sem título
intérprete: Dilermando Reis
autor: Ernesto Nazareth
selo: Continental
data: 1961
gênero: Música Instrumental
tombo: D78-24.885 / CDC 224 faixa 20

Odeon     

 

Carinhoso
título do disco: Dilermando Reis interpreta Pixinguinha
intérprete: Dilermando Reis
autor: Pixinguinha
selo: Continental
data: 1972
gênero: Música Instrumental
tombo: D-05662

Carinhoso     

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