Direto da Curadoria: literatura com Thiago Carvalho

Thiago Carvalho, curador de literatura do CCSP, comenta o livro Santugri – Histórias de Mandinga e Capoeiragem, do escritor Muniz Sodré, e sugere uma leitura “com os sentidos e com o corpo”:

“Porque, seu moço, a roda não tem começo nem fim, Começo, fim, a mesma coisa, é nada e tudo. Gosto, moço. Nela, meu corpo é  meu – parece que nele nem corre sangue, corre mel. O meu corpo, meu corpo/foi Deus quem me deu/na roda da capoeira/Rarrá!/Grande e pequeno sou eu.”

Muniz Sodré é daqueles que figuram bem em quaisquer gêneros de escrita. Um dos mais prestigiados intelectuais nos estudos de comunicação no mundo, o grande mestre deixa sua sabedoria também em escritos sobre filosofia, promovendo o que ele chama de descolonização e desracialização do pensamento. 

O título que apresentamos aqui é literário. Ficção vistosa e exuberante, é feito para ser lido com os sentidos e com o corpo. Querido de Deus frente ao lutador de judô que o desafia. Edna, filha de Obá e professora de capoeira, ameaçada pelo briguento dono da academia de Jiu-jitsu. Besouro preto, defronte à morte, balança mas não cai.

Narrativas que são brincadeira, arte, dança, cultura. Capoeira é bicho falso. Se esgueira, cai na mola e dá com força no pé-do-ouvido da cultura embranquecida, elitista e alheia às coisas do povo. 

“Passarinho não canta por gosto, canta por obrigação. Eu jogo capoeira por cerimônia, por destino. É minha sina. Morrendo, moço, não quero ir pra lugar nenhum – a roda já é meu paraíso.”

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