Direto da Curadoria: teatro infantil com Lizette Negreiros

Lizette Negreiros, curadora de teatro infantil e jovem do CCSP, apresenta a companhia teatral Pavio de Abajour, que realiza espetáculos com o teatro de sombras.

O CCSP fez uma entrevista com o grupo, que ainda preparou um vídeo tutorial de como ter a experiência desse tipo de teatro em casa: 

CCSP – Por que a escolha do Pavio de Abajour pelo teatro de sombras? Quais as diferenças entre uma peça de sombra e “sem ela”?
Cia. Pavio de Abajour – A Cia. de Abajour pesquisa a técnica de sombras por paixão: suas narrativas imagéticas, sua beleza e seu poder de síntese são arrebatadores. No teatro de sombras você encontra projeções, silhuetas de corpos, bonecos e objetos ganhando alma, narrando e ilustrando histórias. Podemos criar outros mundos, levitar, nos transformar, nos agigantar: as sombras não conhecem o impossível.

CCSP – O que motiva vocês a fazerem um conteúdo ensinando as crianças a brincar com sombras?
Cia. Pavio de Abajour – Entendemos que as sombras estão na vida de todas as pessoas, invariavelmente. Também acreditamos que o mundo da imaginação e o da criatividade são uma janela para que crianças e adultos se divirtam em tempos de isolamento social. Nesse sentido: quem nunca brincou com a sua própria sombra, ou já brincou de pisar na sombra de um colega? Quem já fez sombras à luz de uma vela quando acabou a luz da casa? Queremos retomar esse tipo de brincadeira, tão significativa e simples, e mostrar as possibilidades de criar um teatro de sombras em casa, num encontro com o mágico cotidiano!

Cena da peça "Sobre o Voo", da Cia. Pavio de Abajour

CCSP – Vocês também compartilharam um teaser da peça Sobre o Voo, uma narrativa sobre o menino Santos Dumont. A montagem ficou muito bonita, com a influência de gêneros como teatro de animação e vídeos históricos. Porque vocês optaram por essa estética?
Cia. Pavio de Abajour – O espetáculo surgiu da vontade de falar sobre o desejo de alcançar objetivos impossíveis – para isso contamos parte da história de Santos Dumont, o aviador que sonhou em voar e voou. A peça foi tomando forma, pedindo outras nuances, então decidimos combinar a sombra com outras técnicas visuais: usamos bonecos, desenhamos ao vivo, projetamos vídeos históricos, aparecemos para a platéia… Tudo para fazer jus à história e conversar com o criador dentro de cada um.

CCSP – Ainda sobre peça Sobre o Voo, que esteve em cartaz no CCSP em 2017: Vocês podem nos contar como foi a experiência? Como o público reagiu a esse formato? Essa interação (público-atrizes) tem a ver com a ação de vocês?    
Cia. Pavio de Abajour – Tivemos uma temporada muito divertida no CCSP! Um público atento e participativo esteve presente, entrou na história e pôde levar para suas vidas esta experiência da criação. Fizemos também Oficinas de Teatro de Sombras para jovens e adultos e Oficinas de Objetos Voadores para família, que foram muito enriquecedoras para todos!

CCSP – Vocês acham que a história da peça dialoga com o universo infantil e brasileiro?
Cia. Pavio de Abajour – A peça surgiu do nosso desejo de falar sobre um menino que queria voar. Foi em nossas pesquisas que nos deparamos com Alberto Santos Dumont, um criador que inspira inclusive as crianças, que vislumbram em seu exemplo um futuro de criações e possibilidades.

Santos Dumont é um personagem muito importante para a história do Brasil e do mundo, por isso acreditamos ser importante falar sobre ele para além do famoso 14 bis: não apresentamos somente o seu sucesso triunfal, mas também o quanto de trabalho demandou o processo de alcançar seu desejo – quantos cálculos, materiais, inspirações, caminhos. Mostramos como acontece o processo de criação, em seus acertos e seus tropeços. Mas mostramos sobretudo como Alberto, com sua persistência e confiança, e conseguiu conquistar seu grande desejo de voar.

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